128 | Não abre a boca para falar …

Antes de você ler esse editorial tenha em mente que ele não se trata de apologia (se você não sabe o que significa apologia, joga no Google), seja inteligente e honesto para compreender que eu não estou defendendo, elogiando ou justificando ouvir músicas seculares, eu não estou defendendo, elogiando ou justificando a letra do grupo Capital Inicial e eu não estou defendendo, elogiando ou justificando os versos da música ‘Fátima’, um dos grande hits do Renato Russo, gravado pelo Aborto Elétrico e pelo Capital Inicial.

Não se trata disso, e quem disser ao contrário, ou é mentiroso ou é maldoso, ou sofre da ‘Síndrome do Pangaré’. Abra os seus olhos e a sua mente para você compreender o real objetivo e o verdadeiro significado desse editorial e o que ele aborda.

Para você compreender o sermão ou a ‘mensagem’ que eu tive o desprazer de assistir um figurante de ‘pastor’ vomitar numa plateia que o aplaudiu (para mim um bando de alienados e debeis-mentais que não raciocinam), eu estava ali obrigado e tive que aguentar até o fim para vomitar depois que eu ouvi um monte de baboseiras, e cheguei a conclusão que, se você não sabe a origem de alguma coisa, não abre a boca para falar merda, é melhor ficar calado do que passar vergonha depois.

Em tom exaltado, em um tom elevado e berrando mais do que berrante do pantanal (isso aconteceu em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul), um figurante de ‘pastor’ disse que a letra da música ‘Fátima’ do Capital Inicial era demoníaca, afrontava a Deus e destruía os valores evangélicos e exaltava os valores católicos. Ele é um tremendo pangaré. A música diz o seguinte:

Fátima (Renato Russo e Flávio Lemos)

Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa, um dia acaba, eu tenho pena de vocês

E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de nêutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz

Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou

Enquanto mais ele vomitava, mais era aplaudido quase de pé por uma plateia de jumentos que se alimentam de qualquer vômito que certos ‘lideres’ religiosos vomitam pela boca, o mesmo ‘produto’ que expelem pelo ‘buraco negro’ dos países baixos, popularmente conhecido como ânus, bunda… você já entendeu.

Olha só o que o idiota disse sobre os versos finais da música:

Três crianças sem dinheiro e sem moral
(Ele disse que era uma alusão aos três reis magos citado na bíblia);

Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
(Ele disse que era o choro de Jesus de Nazaré);

E se esqueceram de avisar pra todo mundo
(Ele disse que os reis não avisaram do nascimento de Jesus);

Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
(Ele disse que era uma ‘piada’ demoníaca ao chamar Jesus de Fátima);

E de repente o vinho virou água
(Ele disse que se refere ao milagre de Jesus que transformou a água em vinho e que o autor da música estava debochando do milagre de Jesus);

E a ferida não cicatrizou
(Ele disse que era uma alusão as feridas de Jesus causadas na cruz do Calvário);

E o limpo se sujou
(Ele disse que era uma alusão a Jesus de Nazaré, que é limpo – Santo – e que havia se sujado – pecado);

E no terceiro dia ninguém ressuscitou
(Ele disse que era uma alusão à morte e ressurreição de Jesus, e que nesse trecho da música o autor tenta negar que Jesus tenha ressuscitado).

Nesse momento ele foi aplaudido de pé. Essa cena bizarra que eu tive o desprazer de ser obrigado a assistir, aconteceu num bairro próximo da minha casa. E o mais grave: eu não podia dizer nada pois eu estava ali como ‘convidado’ para assistir uma ‘mensagem de impacto’ que iria revolucionar o mundo, e eu não seria arrogante e mal educado de interromper aquela mentirada toda, dita em ‘prosa e verso’ como se fosse verdade de uma ‘revelação’. Eu nunca ouvi tanto ‘escremento’ na minha vida em tão pouco tempo.

Mas eu pensei assim comigo, enquanto assistia aquela cena dantesca: ‘Como pode ser imbecil a esse ponto? Como podem existir animais e pangarés que se denominam de ‘pastores’ para vomitar excrementos pela boca, quando deveriam sair pelo ‘buraco negro dos países baixos’ e o pior: aplaudido de pé por causa da ‘grandiosidade’ das revelações? Como pode existir gente assim?’.

Eu não tenho nada contra igrejas do ‘poder’ ou ‘pentecostais’, nada contra e eu não sou desfavorável a elas, mas um pouco de estudo, sensatez, conhecimento de história, da gramática e canja de galinha não faz mal a ninguém. Melhor estudar do que falar asneiras (você achou que eu iria dizer que ele falou merda?).

Vamos ao que trata a música ‘Fátima’ do Capital Inicial, mas antes das verdadeiras explicações (eu não sou melhor do que aquele ‘pastor’, eu apenas estudei para não falar asneiras e eu ouvi do próprio Renato Russo as explicações de sua arte em Brasília, aos 21 anos de idade) temos que recorrer à história de Portugal e ao dicionário da língua portuguesa.

Em 1616 três crianças portuguesas chamadas Lúcia dos Santos, Francisco Marto e Jacinta Marto (Foto de capa deste editorial), com 10, 8 e 7 anos respectivamente, entre 13 de maio e 13 de outubro na aldeia de Aljustrel, pertencente à freguesia de Fátima, Portugal, teriam visto por três vezes a santa Nossa Senhora de Fátima, que eles chamaram de o Anjo da Paz, contando para eles ‘milagres’ e acontecimentos futuros (Os segredos de Fátima, com chama a igreja católica) e somente em 1617 eles contaram e divulgaram isso ao mundo, após a virgem aparecer outras seis vezes para eles.

A letra ‘e’ é a quinta letra do nosso alfabeto e ela faz a ligação entre as orações, ou seja, uma frase inciada com a letra ‘e’ significa que está diretamente ligada a frase anterior e significa ‘uso a seguir’ e ela faz alusão direta a ‘oração’ anterior.

Entendeu essa parte da história e da exlicação do substantivo masculino ‘e’? Então vamos a verdadeira alusão da música:

Três crianças sem dinheiro e sem moral
(Renato Russo fala das três crianças portuguesas);

Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
(Renato Russo fala da virgem de Fátima que teria chorado durante a aparição);

E se esqueceram de avisar pra todo mundo
(Renato Russo faz alusão aos anos de 1616 e 1617 e a ‘demora’ de 1 ano para contar o milagre);

Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
(Precisa explicar o que disse Renato Russo?);

E de repente o vinho virou água
(É um deboche em forma de crítica de Renato Russo traçando um paralelo entre a virgem de Fátima e os milagres como Jesus, ou seja, Fátima não fez milagre algum);

E a ferida não cicatrizou
(Esse trecho da canção não tem um significado exato)

E o limpo se sujou
(Renato Russo fala da sujeira do pecado e das mentiras contadas pelos três pastorezinhos, na visão pessoal dele);

E no terceiro dia ninguém ressuscitou
(Renato Russo fala que no ‘milagre de Fátima’ ninguém ressuscitou).

Eu não estou defendendo, elogiando ou justificando a música ‘Fátima’ eu estou te contando uma abordagem equivocada (mentirosa) dos versos de uma canção que foram utilizados por um jumento para impressinoar 100 pangarés que estavam presentes ali naquele culto. Eu era o ‘expectador’ 101, estava fora dessa lista de burros.

E agora ficou claro para você? Renato Russo na realidade está ‘destruindo’ um ícone da igreja católica (Os segredos de Fátima) e não da igreja evangélica. Antes de falar, pesquise, aprenda, busque conhecimento.

Eu falo isso há trinta anos: se você não sabe a origem de alguma coisa, não abre a boca para falar merda, é melhor ficar calado do que passar vergonha depois.

Eu não consigo ‘encontrar’ com esse ‘pastor’, pelas ruas da cidade morena, sem que eu tenha uma crise de risos.

Léo Vilhena
Eu não tenho paciência para jumentos, burros e pangarés

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