104 | Pastores Infiéis

Poucas coisas hoje em dia são mais lucrativas do que viver do “Evangelho”. Quase que não há concorrência, se comparada com outras profissões. Pois o cara “vende” o vento. “Vende” aquilo que não se pode pegar, mas que enche de fantasias o coração de todo aquele que procura um “deus”.

Não precisa fazer muito investimento ou esforço, e ainda por cima é muito fácil ser chamado ou se autoproclamar pastor. E terreno fértil (pessoas que são enganadas com facilidade) é o que não falta. Estou me referindo aos maus ou falsos pastores que andam por aí a enganar o povo. Não estou me referindo aos pastores honestos e justos, que tive o prazer de conhecer na minha caminhada, e muito menos aqueles outros que ainda não tive o prazer de conhecer, mas que o Pai os conhece s sabe de sua integridade.

Mas existem outros que estão por aí, que são uns tremendos picaretas. Pois enganar uma pessoa com um chavão de religiosidade e fé é muito fácil. É só fazer uma cara compungida, um ar de santo e pronto: o cara é pastor. Por isso é que existem tantos falsos profetas e falsos pastores por aí. É por esta razão, e não sem motivo, que existem pastores infiéis em cada esquina das ruas das grandes e das pequenas cidades, criando doentes e espalhando doenças emocionais, psicológicas e espirituais.

O cara abre uma “birosca”, põe uma placa escrita “Igreja”, pega um microfone e grita “Aleluia”, coloca um terno “combinando” (calça azul de listinha, camisa roxa, paletó verde e gravata amarela no padrão borboleta) e pronto: Já virou pastor. E sai por aí enganando a todos os que cruzam o seu caminho. E o pior é ficar ouvindo as suas “adoráveis” analogias e suas “fantásticas” concordâncias verbo-nominais. 

Já repararam as frases?

– ‘Nós vai, nós vem, pois os probrema, sergura a bença, tar todo mundo arbençoadio…’

Agora eu sei em quem o Cláudio Manoel, humorista do Casseta e Planeta se inspirou para compor o personagem Seu Creysson. Agora sei. Foi num desses muitos falsos pastores que andam por aí, que ficam correndo a sacolinha, no melhor estilo Tim Tones, do Chico Anísio. E o pior é que ainda tem crente que fica chateado com esses humoristas, deles caricaturarem estes “irmãos” da fé…

Errados somos nós de acharmos que eles estão errados, pois eles de uma forma irônica, só retratam uma realidade que geralmente queremos fechar os nossos olhos, e fingir que ela não existe. E olha que eu estou falando apenas das formas erradas e cretinas de se expressar usando um linguajar de baixo nível, sem concordâncias e fazendo com que a imagem do crente seja aquela antiga e deformada imagem: é burro, analfabeto e pobre.

Não estou me referindo aos que são chamados por Deus e tem pouca cultura. Refiro-me aqueles que não estão nem aí para falarem direito, pois a única linguagem que pretendem compreender bem é aquela proporcionada pelo dinheiro, fruto das ofertas, dízimos e doações.

Apesar de crer pessoalmente que todos nós temos que aprender a falar corretamente.

Outra forma de referência irônica foi aquela em que o comediante Steve Martin descreve um pastor picareta no filme “Fé demais não cheira bem”. Ali está uma realidade americana, que também se enquadra numa realidade brasileira, mas que no final do filme, até o picareta infiel, ou melhor, aquele pastor infiel, se converte de seus maus caminhos.

Mas o que fazer para sobreviver num mundo onde o engano, a infidelidade, as mentiras, as trapaças, os engodos e a ausência da fé genuína em Cristo, são “virtudes” almejadas e conquistadas por pessoas consideradas ou chamadas de pastores?

Pior ainda: Como agir ou reagir ante aqueles que se dizem  “Pastores de almas”, que sabem somente “despastorear” essa gente dolorida e sofrida, que vemos pelos cantos do Brasil?

E mais ainda: Como devemos nos portar, ante àqueles que se autoproclamam “majestades” do Rei, “a serviço do Pai”, mas que só entendem e compreendem a linguagem do “Venha a mim (pastor) o teu reino (dinheiro), e as demais coisas me serão acrescentadas…”

O que fazer? Como agir? De que forma viver?

Longe de mim esteja a tênue ideia, mesmo que seja de forma extremamente singular, de que terei todas essas respostas, ou respostas ainda mais profundas. Não as tenho!

Se você espera isto de mim, de antemão posso lhe garantir: você vai sair frustrado(a) após a leitura deste livro, pois não tenho a verdade absoluta, pelo contrário, luto, busco e almejo diariamente conquistar a plena verdade em Cristo Jesus, por isso aprendi com o Apóstolo Paulo em sua carta aos Filipenses 3:12 “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus”.

Por isso, tenha a certeza do que estou falando; não sou o dono da verdade que se espalha neste mundo e nem procuro ter esta “verdade” como minha fonte de vida. Na realidade, ainda não sei quase nada das questões que são relacionadas com a vida, no que tange a esta “pseudoverdade” que nos atinge, neste mundo ambíguo, de verdades ambíguas, de vida subjetivamente relativa, no que concerne ao ser que se chama de humano.

Mas por que digo desta forma? Porque a única fonte de verdade absoluta e inquestionável é o Senhor. E não esta “verdade” que se torna mentira, na qual vivemos, ou melhor, aquelas mentiras que tentam passar para nós no dia a dia, com essas falsas doutrinas de “prosperidade”, quando a prosperidade em questão é somente relacionada a ter dinheiro e bens.

Minha única verdade é o Senhor!A sua única verdade é o Senhor! É nEle que poremos a nossa confiança. É nEle que estão baseados e alicerçados todos os nossos fundamentos. Ele é a nossa verdade.

Mas existem falsos pastores por aí que se enchem de prepotência e arrogância, e saem espalhando “novas verdades”, a fim de reunir um maior número de “irmãos”.  Por este motivo, não aceito nenhuma outra verdade que não seja proveniente do Pai que está no Céu. Minha única verdade é a Palavra Revelada e encarnada na Cruz, testemunhada na Bíblia, que vem dEle e ponto final.

Porém a cada dia somos “apresentados” a novas “verdades”, a verdades tidas como absolutas, ou a verdades que chegam com status de “verdades do próprio Deus”, travestidas de “Novas Unções”, que se espalham no meio cristão, tais como:

A unção do riso (tem muita gente que gosta.); A unção do cavalo (as igrejas de uma forma geral estão entupidas de cavalos, que dão coices em todo mundo.); A unção da éguinha pocotó (hit-parade nas igrejas); A unção do prego; A unção do imã de Cristo (Pensei que fosse de geladeira!); A “verdadeira” unção que faz chorar e A unção peniana.

Sobre esta última “unção”, eu queria dizer algo: Imagine a cena que se torna chocante, absurda e que seria cômica se não fosse trágica. “Trezentos e cinqüenta e oito homens” de calças arriadas, colocando pra fora o seu membro sexual, e um pastor ou pastora, vem com um óleo da unção especial, e começa a ungir o membro do cara. Isso já não é unção, é aberração. É coisa doentia. Mas acredite, está acontecendo em muitas igrejas ditas evangélicas, extremamente conhecidas no meio cristão. Essa prática é comum numa determinada igreja aqui no Rio de Janeiro. Como eu sei disso? É a igreja que a minha sogra congrega.

E mais besteiras e bobagens acontecem por esse Brasil de ‘Deus que me livre’. Tem palhaçada pra todos os gostos, pra todos os públicos, para todos os gêneros…

Também não estou me referindo àqueles pastores honestos, verdadeiros, leais ao seu ministério, que tem o verdadeiro chamado de Cristo e que implantam em suas igrejas unções e ministérios provenientes do Reino de Deus. Não estou falando deles. Estou me referindo dos picaretas chamados de pastores, que enchem as ruas das cidades, com ‘biroscas’ chamadas de ‘igrejas’, e que saem por aí ‘vomitando’ profetadas.

Extraído do livro ‘PASTORES INFIÉIS‘ do mesmo autor do Blog.

Léo Vilhena
Buscando a fidelidade no Senhor

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