O ímpio não está fora da igreja, é burrice pensar assim: O ímpio está dentro da igreja

Na igreja e nos seminários a gente aprende, em meu modo ver e de compreender o Evangelho é ensinado de uma forma equivocada, pois dizem que os ímpios são todos aqueles que estão fora da igreja, aqueles que não se denominam cristãos. Dizem os teólogos e aprendemos, em meu modo ver e de compreender o Evangelho é ensinado de uma forma equivocada, que os ímpios são todos aqueles que não são do nosso ‘arraial’.

O grande problema de uma afirmação dessas é que a interpretação do Salmo 1 – A base que é usada para este equívoco – é uma interpretação errada do que o salmista disse e esse erro vem se arrastando há anos e anos.

Deixa eu tentar explicar o meu modo de pensar:

A interpretação dos ‘personagens’ do Salmo 1 está errada: O ímpio, O pecador e o Escarnecedor. O problema são as interpretações equivocadas que se fazem destes personagens.

Porque os teólogos e pastores em geral dizem que os ímpios são aqueles que não seguem a nossa ‘piedade’ e que não estão em nosso meio. Então eu te pergunto: EM NOSSO MEIO (IGREJA) NÃO TEM ÍMPIOS?

Meu querido e minha querida, os ímpios que eu conheço com mais profundidade estão em nosso meio. Um bate papo de meia hora e eu te convenço com provas, às portas fechadas, que os ímpios estão em nosso meio.

Pecadores, para os teólogos e pastores, em meu modo ver e de compreender o Evangelho é ensinado de uma forma equivocada, pois eles acreditam que pecadores são aqueles que não fazem o exercício diário de auto-regulamentação e vigilância neurótica do que pode ou não pode comer, beber, vestir e falar. Quem não sabe ‘comportar-se’ é pecador para os fariseus que condenam à todos.

Para eles, escarnecedores são aqueles que vivem rindo, contando piadas e encarnando em tudo e em todos, que não levam nada a sério, que vivem debochando da vida, para os fariseus dos temos modernos, esses são os escarnecedores. Esse é o caminho e a vida do escarnecedor.

Então onde estão os erros teológicos interpretativos?

Está na Presunção de um Juízo, e é essa presunção que dá o ‘poder’ aos fariseus dos tempos modernos de determinar e apontar quem é o ímpio, o escarnecedor e o pecador, e usam como referência, as aparências, as visualizações (o jeito de se vestir, andar, comer, beber, os brincos, as tatuagens ou até pelo time que eles torcem) e pelo não pertencimento ao meu grupo religioso, ou seja, todos os que não fazem parte da minha ‘curriola’ e da minha ‘panelinha’ da igreja, são ímpios. Todos os que tem esteriótipos diferentes dos ‘santos’ e estão ‘fora’ da igreja são os ímpios. Essa é a presunção de um juízo.

O que falta no coração destes fariseus dos tempos modernos que vivem julgando e condenando os irmãos e classificam quem é salvo e quem não é, o que lhes falta é uma dose de amor, graça, perdão, misericórdia, compaixão, ternura, o que lhes falta é viver a vida de Jesus sem falsidades, pois o Mestre trazia para perto os que estavam longe, e diziam que eram SEUS os que não estavam ali presentes naquela ‘turminha’.

Todo ser que não é misericordioso e vive condenando e julgando seus irmãos é um ímpio pois esta anulando a Graça de Deus, pois já foi dito: Perdoa 70 vezes 7 e não julgueis pois você não é juiz de ninguém.

Nas faculdades de Teologia, somos ensinados que para interpretar um texto bíblico eu tenho que analisar o contexto de todo o texto e fazer a pesquisa hermenêutica daquele texto para tentar descobrir: O que o autor estava pensando ao escrever esse texto? Eu tenho que levar em consideração o tempo em que foi escrito o texto, a cultura e a história daquela época, somente assim eu vou poder compreender o texto e o seu contexto. É o que dizem os teólogos.

EU ACHO QUE ISSO ESTÁ ERRADO.

O que o autor estava pensando ou querendo dizer, não é problema meu e eu não vou poder tirar as minhas dúvidas com os autores que já foram morar na glória, no máximo eu farei ilações para tentar descobrir o que o autor queria dizer quando escreveu aquele texto..

A pergunta correta que temos que fazer é a seguinte: QUEM JESUS DISSE QUE ERAM OS PERSONAGENS DE SALMO 1 E COMO JESUS APLICOU EM SUA VIDA ESSE SALMO?

Porque eu estou dizendo isso? Vamos parar, pensar, refletir e juntar os pedaços da história: A bíblia nos garante que o ‘verbo se fez carne e habitou entre nos’ e o verbo é Jesus que se fez carne, então a pergunta que fica é: como Ele fez essas interpretações? Como Jesus classificou esses personagens de Salmo 1?

Tudo o que foi verbalizado na bíblia por inspiração divina, foi encarnado em Jesus Cristo de Nazaré, por isso eu acredito que Ele é a chave de todas as respostas e das interpretações que fazemos dos textos bíblicos. É dessa forma que temos que reler a bíblia e todos os contextos estão em Jesus.

Eu já não consigo pensar e interpretar nenhum texto da bíblia sem me fazer a pergunta: Como Jesus interpretou isso e como ele aplicou isso em sua vida?

E Jesus está vivo e através do Seu Espírito Santo que mora dentro de mim Ele é a chave de todas as respostas e Ele nos responde.

Então a nossa pergunta deveria ser: Quem foi que Jesus chamou de ímpios? Quem foi que  Jesus chamou de escarnecedores e não sentou na roda deles? Quem Jesus chamou de pecadores e não parou em seu caminho?

Como foi que Jesus encarnou esse texto? Pois o Verbo se fez carne, então Jesus jamais seria incoerente com o Verbo que nEle se encarnara. Como Jesus viveu diante desse texto? Se Ele disse, não se assente na roda dos escarnecedores, Jesus nunca iria sentar-se, pois Ele não seria incoerente com a Sua própria palavra. Quando Jesus disse, não ande no conselho dos ímpios, Jesus não andou, pois Ele não seria incoerente com a Sua própria palavra.

Mas eu leio na bíblia que Jesus comeu na casa de um cobrador de impostos meio safadinho, então para Jesus, ele era o ímpio? Eu leio na bíblia que Jesus sentou para conversar com Maria Madalena, uma mulher ‘da noite’ dos tempos de Jesus, então ela era ímpia? Ele não seria incoerente com a Sua própria palavra.

Então para Jesus quem são os ímpios, os escarnecedores e os pecadores?

Eram os Fariseus, era com esse grupinho que Jesus não se misturou. Onde você nunca viu Jesus, qual era a roda de escarnecedores dos tempos de Jesus? Onde eles estavam? Eles estavam no Templo, era ali que Jesus se negou a sentar, parar no Caminho e não se juntou a eles. Só foi lá pra dar ensinar. E também foi lá amarrado para ser julgado e condenado à morte. Os fariseus eram os oficiais da igreja daqueles tempos.

Era no Templo, onde eles, os verdadeiros ímpios, diziam mentiras em nome de Deus com ensinamentos enganosos, era nesse agrupamento de pecadores e escarnecedores que Jesus não se misturou, pois ali estavam os verdadeiros ímpios.

Nos tempos de Jesus, o ‘barato’ da sociedade era estar no Templo, pois lá estavam os fariseus que eram importantes figuras daquela época e foi justamente ali que Jesus se negou a misturar-se com os ímpios.

Mas onde você encontrava Jesus constantemente? Lendo a palavra de Deus percebemos que Jesus andava e estava no Caminho, estava constantemente nas casas em almoços, festas, celebrações, jantares, casamentos, Ele juntava gente nas praças, nas montanhas nos montes, à beira das praias, dos rios, era lá que Jesus pregava.

O moralismo religioso dos fariseus da época de Jesus e dos fariseus dos tempos modernos, classificam de ímpios todos aqueles há quem Jesus classificou de merecedores de Sua graça e merecedores de Seu amor e perdão. Eles eram os alvos de Jesus.

Então você pode me perguntar: como podemos sermos enganados andando no conselho do ímpio? Isso é simples de responder.

O ímpio é aquela pessoa que tem uma cara de piedade, que tem uma fala mansa, uma cara compungida, um olhar fraternalmente falso, que parece que tem o bom conselho, mas ele é desprovido de amor, de graça, de misericórdia e de perdão. O conselho dele tem morte, exclusões, desapego ao fraco e necessitado. Gosta de julgar, analisar e condenar os irmãos. Esse são os ímpios e são os ‘juízes da fé’.

É assim que somos enganados podendo andar no conselho do ímpio.

Agora, o alvos de Jesus são todos aqueles que reconhecem que necessitam de perdão, graça, misericórdia, que almejam os pensamentos de Jesus, que vivem uma vida recheada de bondade, tolerância e compaixão com os seus irmãos, mesmo tendo falhas e impurezas em seu coração, pois eles sabem que necessitam diariamente de Jesus Cristo de Nazaré, mas mesmo cheio de falhas eles vivem uma vida de tolerância com os fracos na fé e com aqueles que não tem os esteriótipos que julgamos ser o centro da religiosidade.

Para Jesus o verdadeiro pecador, o ímpio e o escarnecedor são todos aqueles que não andam em graça, misericórdia, em constante perdão com os seus irmãos, que está sempre pronto para a guerra, que nunca perdoa, que nunca abre o seu coração para as dores do outro e da vida do outro, que julga, condena e amaldiçoa seu irmão. É aquele que classifica quem é salvo e quem não é, quem é cristão e quem não é, quem merece a Graça de Deus e quem não merece. Esse é o ímpio.

Então eu te pergunto: Não existem ímpios dentro da igreja?

Quem mente, falsifica ou distorce a palavra de Deus e condena o seu irmão, esse é o verdeiro escarnecedor e o ímpio, o pecador com quem Jesus evitou a andar e sentar ao seu lado.

Léo Vilhena
Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns.’ 1 Coríntios 9:22.

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