Bases Doutrinárias – Salvação

Cremos que o verdadeiro crente em Jesus Cristo, que um dia sem falsidade, com completa observância das leis de Cristo (graça), que compreendeu e vive o Seu amor, de uma forma absolutamente pura (coração íntegro e temente a Deus), não perde a salvação uma vez conquistada, desde que ele tenha sido efetivamente escrito no Livro da Vida, e tenha sido ele reconhecido por Deus como um crente fiel, merecedor de viver no paraíso com Ele durante a eternidade.

Talvez este tópico seja o que mais traga conflitos doutrinários e teológicos entre igrejas e ministérios, apesar de acharmos que este assunto é de extrema facilidade para a plena compreensão.

O que ocorre, na maioria das vezes, em nosso entendimento, é que todos aqueles que são contrários à ideia de que a salvação uma vez conquistada (plena e verdadeiramente), não se perde, deve-se ao fato de que é mais viável “manter” o crente “aprisionado” a uma ideia da perda da salvação, pois desta forma dificilmente esta pessoa deixará de frequentar aquele ministério, pois assim a pessoa terá medo de perder esta referida salvação, uma vez que a não observância dos rituais, leis, teologias e doutrinas daquela determinada igreja, o impedirá de chegar ao céu.

Para nós isto é má interpretação das verdades bíblicas. Mas também não estamos afirmando que todos os crentes em Cristo, estejam salvos e uma vez salvos, salvos para sempre. Não acreditamos neste tipo de teologia, mas cremos que uma vez, verdadeiramente salvo em Jesus, e sendo assim não praticante rotineiro do pecado, ele não perderá esta salvação.

Dizemos isto pelas seguintes razões:

Primeiramente temos que compreender que a salvação não vem de nós mesmos, de homens ou santos e nem de atos que venhamos a cumprir e fazer, já que a salvação é um Dom (graça imerecida), concedida por Deus em Sua soberania e amor, conforme está descrito em Efésios 2:8,9 “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.);

A salvação é algo que recebemos gratuitamente “porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” Romanos 6:23;

Então, se cremos que este dom (salvação) vem de Deus, independente de nossos esforços, e é algo divino, podemos crer então que esta vocação vem do alto e assim sendo, não podemos perdê-la, uma vez conquistada (real e efetivamente), pois o Apóstolo Paulo afirma categoricamente em Romanos 11:29 “porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”. Então se cremos que a salvação é um dom de Deus e este dom é irrevogável (não deixa de existir e não volta atrás), uma vez adquirida (a salvação), não perdemos, se na realidade verdadeiramente a conquistarmos;

O que ocorre, na maioria esmagadora de vezes, é que o indivíduo não se converteu verdadeiramente, finge uma conversão, tenta enganar os outros com bons atos e boas atitudes, fala coisas bonitas, tem uma boa dose de cristianismo dentro de si, mas não vive integralmente a vida de Cristo, e por este motivo anda na prática costumeira do pecado;

Então, baseados nestes entendimentos, podemos viver na prática do pecado? É claro que não, pois quem verdadeiramente é nascido de Deus, não vive na prática costumeira e rotineiramente do pecado, como está escrito em 1ª João 3:9 e 5:18 “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca.”

Por que então não perdemos a salvação quando pecamos? Porque Deus não nos trata mediante o nosso pecado, pois se acontecesse desta forma, nenhum de nós poderia ser salvo.

O que ocorre é que o amor dEle, e sua Graça redentora nos purifica de todo e qualquer pecado, mediante a nossa postura perante o pecado. Salmos 103:10 “Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades”.

Por exemplo, quando Davi adulterou com a mulher de Urias, o heteu, ele(Davi) foi repreendido por Deus, através do profeta Natã. Pagou caro pelo seu erro, mas mesmo assim em momento algum a Bíblia demonstra que ele perdeu a salvação.

As Escrituras fala claramente que ele havia perdido a Alegria de viver salvo, e que esta alegria nos traz paz, conforto e abrigo em Deus, e sem ela perdemos a confiança voluntária que o Espírito dEle nos proporciona. Salmos 51:12 “Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário”.

E se pecarmos? Primeiro temos que levar em consideração que existem diferenças entre pecados, pois há pecados para a morte e outros não, conforme está descrito em 1ª João 5:17b “…e há pecado não para morte”.

E ainda a Bíblia fala que existem pecados que são iguais e outros que são diferenciados entre si, conforme lemos em 1 Samuel 15:23 “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar”.

Mas e se pecarmos? Mediante ao acima exposto, podemos concluir que alguns pecados nos levam a morte (estes tipos de pecados não cremos que os que foram realmente salvos por Cristo e que mantêm uma vida de observância em Cristo, não cometem) e que outros tipos de pecados não levam a morte (pecados originados pela natureza caída e humana do ser, pecados que todos os homens cometem).

Mas se por algum acaso, ainda assim, o homem vier a pecar, a obra deste homem sofrerá danos, mas mesmo assim ele será salvo: “manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” 1ª Coríntios 3:13-15.

O problema maior é que alguns crentes se julgam salvos, mas não são, e por isso é que Deus manda cada um de nós provar-nos a nós mesmos “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” 1ª Coríntios 13:5.

Por este motivo, todo crente bem no fundo do seu coração, com a convicção e certeza da sua fé em Jesus Cristo, sabe perfeitamente se está ou não nEle. É o Espírito Santo de Deus que nos testifica “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” Romanos 8:16.

Muitos contra-argumentos são apresentados contra a doutrina de que não perdemos a salvação, e não vamos nos ater a todos eles, pois realmente sabemos qual é a verdade a respeito deste fato, mas vamos apenas comentar dois:Se a salvação se perde, por que o filho pródigo (Lucas 15:11-32) não deixou de ser encarado como filho (pois ele continuou tendo e mantendo todos os seus direitos de filho), depois que saiu por aí dissolutamente, pecando de formas variadas.

Por que ele não perdeu esta condição? A resposta é semelhante àquela que demos a respeito de que há pecados para a morte e outros não. E que Deus não nos julga conforme as nossas iniquidades, mas sim pelo coração puro (temente a Deus), que se mantêm firme e convicto de que Cristo é o Senhor, apesar de agirmos contra os seus desígnios, mas ele mantêm o seu amor por nós;

Outro argumento contrário é baseado na história que diz que Moisés levantou a possibilidade da perda da salvação, ao “solicitar” a Deus que Ele (Deus) risca-se o seu nome (Moisés) do Livro, que muitos consideram como o Livro da Vida, onde estão escritos os nomes daqueles que estão salvos em Cristo.

Podemos ler esta história em Êxodo 32:30-35.

Só que naquela época ainda não havia a Revelação da Graça, e só existia a Lei, por este motivo já se descartaria a possibilidade de ser o Livro da Vida, que é fruto da Graça Revelada, ou seja, ele já existia, mas não era revelado aos crentes em Cristo.

Outro fator é que a referência deste texto não é ao Livro da Vida, mas sim ao Livro dos Vivos, que era uma crença de que os povos antigos carregavam consigo, de que uma pessoa só poderia estar viva, caso o seu nome estivesse escrito no Livro dos Vivos “Então, disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto para memória num livro e repete-o a Josué; porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu” Êxodo 17:14;

“Será que os restantes de Sião e os que ficarem em Jerusalém serão chamados santos; todos os que estão inscritos em Jerusalém, para a vida” Isaías 4:3;

“Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos.” Salmos 69:28.

Concluímos então que na realidade Moisés estava pedindo literalmente para que Deus lhe tirasse a vida, pois Moisés queria morrer naquele instante, por isso Deus na sua soberania e poderio responde de uma forma direta e imperativa: “Riscarei do meu livro, todo aquele que pecar contra mim”, ou seja, todo aquele que desobedecer às suas ordens e se opor às suas determinações.

No passado os antigos criam que existiam os Livros dos Vivos (“Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos.” Salmos 69:28), o Livro dos Mortos e o Livro dos Justos (“E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro dos Justos?” Josué 10:13) , entre outros livros.

Para os antigos a questão dos Livros era considerada de extrema importância e seriedade, como podemos ler nesta descrição “Quem me dera fossem agora escritas as minhas palavras! Quem me dera fossem gravadas em livro!” Jô 19:23;

Isaías 30:8 “Vai, pois, escreve isso numa tabuinha perante eles, escreve-o num livro, para que fique registrado para os dias vindouros, para sempre, perpetuamente.”

É um tema complicado que carece de um estudo minucioso. Recomendamos que você releia todo esse tópico.

EXTRAÍDO DO LIVRO ‘BASES DOUTRINÁRIAS’ – Autor: LÉO VILHENA
Esse material faz parte da Tese de Doutorado do autor

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Capa do Livro BASES DOUTRINÁRIAS
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