Bases Doutrinárias – Quebras de Maldições

Muito se tem falado em quebra de maldições, e acreditamos nela, porém cremos que o sacrifício de Cristo na Cruz do Calvário, é suficientemente eficaz para livrar o homem que nEle crê de qualquer maldição que lhe tenha sido imposta, em conseqüência da sua desobediência ou por falta de cobertura espiritual e, portanto, é desnecessário qualquer ritual ou um culto específico para quebrar maldições.

A origem da maldição é uma conseqüência da quebra da Lei de Deus. A maldição se originou no pecado, que é a desobediência ao Senhor, enquanto a benção se origina na obediência ao Senhor.

“Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes. Quando, porém, o SENHOR, teu Deus, te introduzir na terra a que vais para possuí-la, então, pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim e a maldição sobre o monte Ebal. Porventura, não estão eles além do Jordão, na direção do pôr-do-sol, na terra dos cananeus, que habitam na Arabá, defronte de Gilgal, junto aos carvalhais de Moré? Pois ides passar o Jordão para entrardes e possuirdes a terra que vos dá o SENHOR, vosso Deus; possuí-la-eis e nela habitareis. Tende, pois, cuidado em cumprir todos os estatutos e os juízos que eu, hoje, vos prescrevo.” Deuteronômio 11:26-32.

Deus amaldiçoa o pecador, tanto quanto abençoa todo aquele que lhe é fiel.

A maldição divina não possui o sentido místico e supersticioso que os pagãos lhe atribuíam. Criam que a maldição era uma entidade espiritual em sim mesma que, uma vez proferida por um homem contra outro ou contra alguma coisa, acionava o poder dos deuses, ou das forças ocultas para executarem o mal desejado contra àquela pessoa ou coisa.

Podemos ter um exemplo disto em:

“Disse o filisteu a Davi: Sou eu algum cão, para vires a mim com paus? E, pelos seus deuses, amaldiçoou o filisteu a Davi.” 1 Samuel 17:43.

Este conceito prevalece hoje ainda nas religiões de magia, por este motivo, quando percebemos cristãos praticando e acolhendo este tipo de ideia, cremos que exista uma associação direta com o ritual paganista, o que é um erro.

O verdadeiro conceito deve ser de que os crentes em Cristo devem crer que a benção e maldição relacionam-se aos conceitos de obediência e desobediência ao Senhor somente, ou aos conceitos de aceitar ou rejeitar o Evangelho de Cristo, e não numa palavra proferida por alguém contra outra pessoa:

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar.”Gálatas 3:13a.

“Como o pássaro que foge, como a andorinha no seu voo, assim, a maldição sem causa não se cumpre.” Provérbios 26:2.

“Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do SENHOR e o seu direito que de mim procede, diz o SENHOR.” Isaías 54:17

Os crentes em Cristo não devem temer e nem se preocupar com maldições:

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Romanos 8:1”; porque todos estamos libertos da maldição imposta pela Lei

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), Gálatas 3:13”

E a mais terríveis das maldições, a morte “mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:17”,

A morte perdeu o seu poder “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.  Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Romanos 8:33-39”.

E para completar, sentenciando a perda do poder da morte sobre nós, o Apóstolo Paulo diz: “Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.” 1ª Coríntios 15:53-57.

Por estes motivos acima evocados, podemos ter a absoluta e irrestrita certeza de que “Toda e qualquer maldição foi quebrada em Cristo Jesus”.

Em relação à chamada Maldição Hereditária, que consiste em acreditar-se que os pecados, alianças e padrões estabelecidos pelos nossos antepassados podem acarretar maldição sobre os descendentes até a terceira e quarta geração, com base no texto de êxodo 20:5,6, deve ser doutrina rejeitada pelas seguintes razões:

Quem amaldiçoa é Deus, por desobediência a Ele. É ele quem age, visitando a maldade dos pais nos filhos que continuam praticando os mesmos pecados. Os crentes precisam e podem crer que nenhum débito acumulado existe contra eles, a partir do momento em que se apropriam da vitória de Cristo na Cruz:

“…tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.” Colossenses 2:14,15.

A acreditar-se que as maldições familiares se transmitem automaticamente de pais para filhos (com base no que está escrito em Êxodo 20:5 “Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem.”), ter-se-ia de acreditar que as bênçãos também sejam automaticamente transmitidas de igual modo, ou seja, de pais para filhos automática e imediatamente (com base no que está escrito em Êxodo 20:6 “…e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”).

Afirmar-se que uma aliança demoníaca dos pais “amarra” os filhos, implicaria em acreditar-se que a fé possuída pelos pais também salva os filhos automaticamente.

O que na realidade trata o texto de êxodo 20:5 e 6 é do desdobramento tanto do pecado da desobediência quanto da obediência na vida dos descendentes, e para concluir, deve ser levado em consideração o fato de as bênçãos e as maldições estarem relacionadas a uma atitude, ou seja, se o crente continuar praticando atos de desobediência a Deus, o castigo é a maldição atribuída a ele por Deus, mas se o crente praticar a plena obediência a Ele, a recompensa é a vida eterna.

E para concluir, devemos lembrar que tanto no Antigo Testamento com no Novo Testamento, ou seja, tanto na época da Lei como na época da Graça, a questão relacionada à maldição é tratada de uma forma direta, ou seja, os dois testamentos afirmam categoricamente que a responsabilidade humana por seus atos, é de cada um, ela é individual.

Os maus feitos dos pais não passam para os filhos, nem ao contrário, ou seja, nem a justiça daqueles mesmos pais repercute automaticamente na vida dos seus filhos.

No Antigo Testamento lemos claramente que a responsabilidade pelos atos é individual:

“…Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá.”;

“Mas dizeis: Por que não leva o filho a iniquidade do pai? Porque o filho fez o que era reto e justo, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso, certamente, viverá. A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este.” Ezequiel 18:4,19 e 20.

E também lemos no Novo Testamento que a responsabilidade pelos atos de cada um é individual: “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” Romanos 14:12.

Nas questões relacionadas a Maldições de nomes, cremos que psicologicamente um indivíduo possa ficar suscetível ou influenciado pela origem ou tradução de seu próprio nome, mas não há fundamento para a crença de que os nomes como um fim em si próprio, possam carregar maldições, e que, por isso, nomes de pessoas e lugares precisam ser mudados se estão relacionados ou têm origem em nome de santos e divindades do mal.

As provas da inconsequência desta crença podem-se da mediante a consideração de nomes de personagens bíblicos: Daniel e seus amigos, Hananias, Misael e Azarias, receberam do chefe dos eunucos, nomes de deuses pagãos, contudo permaneceram e continuaram eles fiéis ao Deus verdadeiro e por Ele sendo abençoados e livrados de morte.

Podemos ler esta afirmação em Daniel 1:7 e em todo o capítulo 3 do mesmo livro, visto que um dos maiores milagres narrados pela Bíblia, ocorreu com eles, mesmo eles já estarem “batizados” com novos nomes de deuses pagãos. Mas estes nomes não tiveram efeitos sobre eles, pelo contrário, eles se apegaram mais a Deus.

E em último lugar, a genealogia de Jesus inclui nomes outrora comprometidos com pecados e com uma herança estranha à relação entre Deus e Israel, e isso não comprometeu a santidade do Filho de Deus, nem Lhe acarretou qualquer maldição.

Em fase do exposto acima, os chamados “ritos” para a quebra de maldição, realizados pelos que adotam tal prática, são condenáveis por duas únicas razões:

Estes “ritos” incluem súplica de perdão dos pecados dos antepassados, o que muito se assemelha à oração em favor dos mortos, pois não podemos pedir perdão pelo pecado cometido pelo meu bisavô, sem estar me “relacionando” (mesmo que em oração) com ele, já morto.

Com este tipo de atitude, certamente teríamos então poder para perdoar ou pedir perdão a Deus, pelos pecados cometidos pelos nossos antepassados. Por isso, esta prática de quebra de maldições (ritos), se praticadas, conduziria as igrejas evangélicas, e em especial a Comunidade Cristã Vida Nova, da qual sou pastor, a atitudes assemelhadas às do romanismo e do espiritismo.

E por último, esses ritos contrariam o próprio bom senso, pois não há como lembrar os pecados dos antepassados todos, porque as árvores genealógicas sobem em progressão geométrica.

Então, se praticamos estes ritos, somos obrigados ou Deus é obrigado, a nos lembrar ou a conhecer, todos os pecados de cada antepassado nosso, e isso seria extremamente complicado, ou seja, humanamente falando não teríamos capacidade para lembrar e suplicar perdão por cada pecado de nossos antepassados.

Mal fazemos isso com os nossos próprios pecados! E se por algum acaso, Deus não nos fizéssemos lembrar de um determinado pecado de um antepassado nosso, obviamente perderia força ou valor este “ritual” de quebra de maldição, e estaríamos imputando em Deus falhas, o que jamais ocorrerá, pois Ele nunca falha.

Na questão de Bênçãos e Maldições proferidas pelos homens contra os homens, vale salientar que os homens (poucos) que proferiram benção ou maldição, segundo a narração bíblica, o fizeram por delegação específica de Deus, servindo apenas como canais de bençãos ou maldições vindas diretamente dEle.

As maldições a que se refere o Antigo Testamento estavam ligadas àquela antiga aliança, e não devem ser aplicadas à Nova Aliança. Por este motivo, é que os crentes em Cristo recebem a recomendação expressa de não amaldiçoarem: “Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim.” Tiago 3:9 e 10.

Por isso, entendemos que a maldição que não é imposta por Deus, nasce da cólera e da amargura humana, com o objetivo de humilhar, desprezar ou execrar a pessoa a quem é dirigida, e traz prejuízos àquele que a profere e não a quem foi proferida.

A preocupação do Senhor, mostrada nas Escrituras, não está no fato de a maldição proferida por homens realizar-se ou não, mas na reação carnal das pessoas que desencadearam a vontade de destruir, prejudicar e atingir com o mal a outras pessoas.

E uma outra forma de entendermos que não precisamos de “libertação” ou de “quebra de maldição” para prosseguirmos em nossa jornada na terra, é que no exato momento em que aceitamos a Cristo, Ele nos libertou do império das trevas, e nos resgatou de lá “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” Colossenses 1:13.

E conhecedores da verdade (Cristo) aprendemos que Ele nos libertou completamente “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” João 8:32.

Por este motivo já somos livres e libertos em Cristo de todas as amarras do diabo “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” João 8:36.

Por isso ele cancelou toda a dívida (maldição) que era contra nós, como já foi dito anteriormente “…tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” Colossenses 2:14,15.

EXTRAÍDO DO LIVRO ‘BASES DOUTRINÁRIAS’ – Autor: LÉO VILHENA
Esse material faz parte da Tese de Doutorado do autor

cover_front_big
Capa do Livro BASES DOUTRINÁRIAS
Anúncios

Os comentários estão encerrados.

Site hospedado por WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: