Bases Doutrinárias – Dons de Curar

Cremos que os dons de curar, bem como a cura divina, ainda é concedida à igreja nos dias de hoje, pois os dons e as curas são concedidas pelo Espírito Santo, segundo a Sua soberana vontade, não existindo limitação e definição de tempo ou circunstância. Cremos nestes conceitos baseados em 1 Coríntios 12:7-9 onde lemos que:

“A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar”.

Não encontramos em nenhuma parte da Bíblia e nem em suas variadas versões, base que sustente a ideia de que não possa existir a possibilidade da contemporaneidade dos dons de curar. Pois os textos usados para afirmar ao contrário, na realidade, recebem outras e equivocadas interpretações.

Após o estudo e análise de algumas afirmações bíblicas, podemos afirmar, entre outras coisas que:

Os dons não foram dados por Deus, através do Espírito Santo, somente aos apóstolos (aqueles citados na Bíblia), mas sim a todos os crentes em Jesus, pois em Atos 8:4-7, percebemos que Filipe também exerceu dons de curar e de libertação a possessos, sendo ele diácono e não fazendo parte do colégio apostólico, ou seja, os dons não são exclusividades dos Apóstolos;

Também não é verdade que 1ª Coríntios 13:8-13 afirme que os dons podem acabar ou “passar”, pois este texto refere-se ao tempo em que Deus levará para si os que são seus (para o céu), a partir daí então, os dons, as línguas e as demais cousas passarão, e isso somente acontecerá após a segunda volta de Cristo;

Alguns teólogos afirmam que os dons passarão, pois “o que é perfeito” (supostamente os dons e as demais citações do referido texto), isso em referência clara a 1ª Coríntios 13:10, ainda não foi aperfeiçoado, sendo assim os dons passarão, pois ainda serão aperfeiçoados num futuro próximo. Mas isto não é verdade, pois a referência ao “que é perfeito”, no original, refere-se à segunda volta de Cristo, à Sua pessoa, quando Ele será visto face a face, como é descrito em 1 Coríntios 13:12; E mais, a referência ao “que é perfeito” (JESUS), é feita em sua ausência, pois nessa época Jesus já havia sido elevado aos céus, conseqüentemente, a expressão “quando, porém, vier….” é uma alusão à segunda volta de Cristo, aí sim, tudo desaparecerá;

O nosso entendimento é: os dons de curar é a capacitação de caráter sobrenatural, dada aos crentes em Cristo, usados como instrumentos do canal do fluir e da vontade dEle, para, com a Sua autoridade, em nome dEle, e no tempo que julgar necessário, e na hora que por usa soberania assim decidir, ministrarem a benção da cura aos enfermos, sem que possamos interferir no tempo, hora e local, podendo, no máximo, pedir a Ele através da oração e da súplica, com reverência, esta graça.

Por isso não podemos usar os seguintes termos: “eu ordeno a cura, eu imponho a cura, eu determino a cura”, pois não nos compete curar ou autorizar a cura, pois não temos este poder, mas sim suplicar em nome dEle, esta graça.

Os dons de curar e sua prática devem obedecer as seguintes normas bíblicas e ao bom senso, que deve caracterizar os crentes em Cristo, como explicaremos a seguir.

Primeiramente, a origem das doenças deve ser levada em conta. Podem ser oriundas do pecado “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” Tiago 5:15; podem ser de ação satânica “Senhor, compadece-te de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo e outras muitas, na água. Apresentei-o a teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo. Jesus exclamou: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui o menino. E Jesus repreendeu o demônio, e este saiu do menino; e, desde àquela hora, ficou o menino curado.” Mateus 17:15-18; pode ser de causas naturais “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades.” 1ª Timóteo 5:23; pode ser por intervenção divina visando disciplinar “Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.” 1 Coríntios 11:30; pode ser de intervenção divina visando provação “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” Salmos 119:71.

A afirmação de que toda doença tem origem em um pecado determinado ou que toda a doença procede do diabo é falsa, pois o discernimento a respeito do pecado e de sua origem, bem como o discernimento a respeito da enfermidade e sua origem é de suma importância para aplicar o tratamento devido ao enfermo e inclusive a forma de como devemos orar.

Outro fator importante na análise da cura divina, é que não aconselhamos a promoção de “cultos de cura e libertação”, porque essa atividade não tem fundamento nem referência bíblica alguma, ou seja, não existe um único exemplo na bíblia de culto específico ou uma ordenança específica para esta finalidade, e esses cultos só tem servido, muitas vezes, à prática do curandeirismo e comércio da fé (alguém duvida disso?), servindo ainda de compensação financeira para os que o promovem, pois com as emoções à flor da pele bem como as sensações exacerbadas por um “sentimento de alívio pela cura”, os enfermos agora curados dão uma oferta maior, melhor e muitas vezes retiram tudo o que tem na carteira e “pagam” por aquela cura, e ainda oferecem bens como “resposta e agradecimento”.

Só que a cura vem de Deus e é de graça.

Outro dado importante, que merece atenção, é que a Bíblia não traz definição quanto à liturgia ou fórmula de atuação para o exercício dos dons de curar, pois estudando a atuação de Jesus e dos apóstolos percebemos que ela é diversificada, sendo assim o nosso padrão de atuação.

Acreditamos, assim, que a cura divina para a igreja, não foi por Deus instituída como ministério específico (não encontramos referência Bíblica para crermos que exista este tipo de ministério específico, pois o Espírito nos oferece como dom, e não como ministério), pois o Senhor cura em resposta às orações a Ele dirigidas nesse sentido, como lemos em Tiago 5:15-17 “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo. Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu”.

O serviço da Igreja é a pregação do Evangelho, por este motivo, devemos deixar à mercê do Pai a realização ou não de curas, que servirão de sinais e acompanharão o ministério da Palavra quando Ele assim desejar, no tempo dEle e na hora dEle.

EXTRAÍDO DO LIVRO ‘BASES DOUTRINÁRIAS’ – Autor: LÉO VILHENA
Esse material faz parte da Tese de Doutorado do autor

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Capa do Livro BASES DOUTRINÁRIAS
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