Bases Doutrinárias – Dom de Línguas

Cremos que o dom de variedade de línguas ainda se manifesta nos dias de hoje, esse evento sobrenatural de concedido por Deus pode ser de natureza idiomática ou estranha.

Alguns teólogos e pastores creem que o dom de línguas, e outros dons são de caráter temporário e não se manifestam nos dias de hoje, mas existem algumas conclusões bíblicas que reforçam a ideia de que os dons de línguas ainda são manifestos em nosso meio:

– Não se consegue concluir hermeneuticamente a passagem de 1ª Coríntios 13:8-13 onde lemos que “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor”. Não é conclusiva a hermenêutica que se faz deste texto declarando-se que o dom, junto ao de ciência e ao dom de profecia teriam natureza temporária; deixariam de ter vigência em um determinado momento dentro do período de atuação da Igreja. Se o propósito primordial dos dons espirituais é o serviço e a edificação da Igreja, enquanto esta cumpre o seu ministério e necessita ser edificada, sendo assim todos os dons estão em vigência. Em qualquer tempo que convém, conforme lhe apraz, o Espírito Santo pode conceder um dom. A omissão do dom de línguas nos versículos 9 a 13 pode ser entendida como um recurso estilístico, muito usado por Paulo ao levantar às hipóteses contidas, por exemplo, nos versículos 1 a 3, onde se percebe que Paulo omitiu vários dons, não fazendo deles citação.

– Em 1 Coríntios 13:8 “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará”, o verbo pausontai () que foi traduzido por João Ferreira de Almeida como “cessarão”, não tem a força alegada para determinar que o dom deixaria de ser concedido ainda dentro do período apostólico. Queremos ressaltar que, não estamos afirmando que o honorável João Ferreira de Almeida errou em traduzir o verbo, apenas estamos afirmando que alguns verbos gregos não tem tradução literal na língua portuguesa, por este motivo, é necessário assemelhar este verbo grego a um verbo em português que mais se aproxima desta tradução.

– Os dons não foram concedidos apenas para confirmar o ministério apostólico, porém os sinais que ocorrem hoje não tem o mesmo caráter, isto é, não servem para confirmar a Palavra revelada, mas servem como sinais que acompanharão aqueles que creem.

– A conclusão e finalização do Cânon Bíblico também não implica na cessação de qualquer dom. O que é perfeito (1ª Co 13:10) pode ser entendido como a volta de Jesus Cristo ou como o estabelecimento do novo céu e da nova terra.

O dom de línguas é a capacitação sobrenatural dada por Deus, mediante o Seu Espírito, ao crente em Cristo, para falar em língua estrangeira não conhecida e anteriormente não aprendida ou em língua estranha.

Temos exemplo de uma natureza idiomática nos dons de línguas baseados no texto de Atos dos Apóstolos 2:1-12 “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu à multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus? Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer?”.

Temos exemplo de uma natureza estranha nos dons de línguas baseados no texto de 1ª Coríntios 12 a 14. O dom de línguas, na condição de dom, como os demais relacionados na Bíblia, é concedido pelo Espírito Santo, mediante o Seu desejo, e “segundo a graça que nos foi dada ” 1ª Coríntios 12:11.

Portanto, o referido dom não constitui sinal exclusivo e específico de uma experiência marcante com o Espírito Santo, nem é exigido que todos os crentes em Cristo o tenham. O Apóstolo Paulo através da falta de uma afirmação específica, não indica em nenhum lugar, que o dom de línguas é a prova de que o Espírito Santo foi recebido ou que haja uma forte influência dEle na vida do crente. Ao contrário, o apóstolo ensina que o referido dom não é concedido a todos os crentes, e nem é um dos principais, como afirma em 1 Coríntios 12:27-30 “Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres? Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? Interpretam-nas todos?”.

EXTRAÍDO DO LIVRO ‘BASES DOUTRINÁRIAS’ – Autor: LÉO VILHENA
Esse material faz parte da Tese de Doutorado do autor

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Capa do Livro BASES DOUTRINÁRIAS
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